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Antes mesmo da definição do modelo de privatização de aeroportos, o governo prepara mudanças na Infraero. A primeira providência será a substituição do presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, por um executivo do mercado. O mais cotado para assumir o posto é Guilherme Lagger, ex-diretor de Logística da Vale e ex-presidente da Associação Nacional do Transporte Ferroviário (ANTF).

As mudanças não vão se restringir ao comando da estatal. Incluirão as quatro diretorias e as 28 superintendências da Infraero, além dos administradores dos 67 aeroportos, das 80 unidades de apoio à navegação aérea e dos 32 terminais de logística de carga. Segundo fontes, os atuais administradores foram nomeados por indicação política. O propósito do governo, agora, é profissionalizar a gestão da estatal.

Indicado para a Infraero pelo PSB, partido que integra a base de apoio ao governo no Congresso, Gaudenzi, que no governo Lula presidiu também a Agência Espacial Brasileira, declarou há duas semanas que não comandaria a privatização de aeroportos. “Caso se decida pela privatização, não sou a pessoa indicada para tocar o processo. Não tem briga nisso. Deixo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, tranqüilo para que me substitua” , disse o presidente da Infraero.

A resistência de Gaudenzi à privatização tem sido um dos obstáculos à reestruturação do setor aeroportuário. Ele foi nomeado para a Infraero em meio ao caos aéreo provocado pelos acidentes da Gol, em 2006, e da Tam, em 2007, os maiores já ocorridos no país. No cargo, Gaudenzi lutou contra a privatização – defendida pelo BNDES e pela presidente da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), Solange Vieira – e propôs, como alternativa, a abertura do capital da estatal, medida descartada devido à sua complexidade e também ao desinteresse de investidores privados.

Nos últimos meses, o presidente Lula se irritou com a morosidade da Infraero nas obras de reforma e ampliação de alguns aeroportos. Convencido por dois governadores (Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, e José Serra), preocupados com a possibilidade de o país não atender aos requisitos de infra-estrutura exigidos para ser a sede da Copa do Mundo de 2014, Lula decidiu mudar radicalmente o rumo nessa área.

“O governo não tem que cuidar mais de aeroporto. Isso as empresas podem fazer. (O governo) tem que cuidar é do ar (do tráfego aéreo), isso, sim, é tarefa exclusiva do Estado”, disse o presidente.

O BNDES já iniciou o processo de licitação para a contratação de empresas de consultorias que o auxiliarão na modelagem de privatização dos aeroportos. O BNDES estima que o setor de transporte aéreo crescerá, no Brasil, cerca de 7% ao ano nos próximos 15 anos. Por essa razão, a idéia é acelerar os estudos para viabilizar investimentos privados na estrutura aeroportuária.

As mudanças prevêem, entre outras medidas, a adoção de mais aeroportos de conexão (hubs) – hoje, funcionam assim os de Guarulhos (SP), Congonhas (SP) e Brasília – e a possibilidade de construção de um terceiro aeroporto em São Paulo. O governo quer também descongestionar o tráfego aéreo na capital paulista por meio da expansão do aeroporto de Viracopos, em Campinas, e do aprimoramento dos terminais de cidades vizinhas, como Jundiaí, São José dos Campos, Sorocaba e Santos.

Fonte: Mercado&Eventos

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