Passageiros mal intencionados podem conseguir interferir seriamente nos sistemas de controle do 787 Dreamliner. Segundo a revista, o jato tem uma séria vulnerabilidade na rede de computadores e essa brecha dá acesso ao controle, à navegação e aos sistemas de comunicação. A fonte da informação da Wired é a própria Federal Aviation Administration (FAA). A porta para a interferência seria uma falha no programa de gerenciamento da internet disponível para os passageiros, que seria conectado na mesma plataforma onde estão os sistemas de segurança de vôo, além das áreas de controle financeiro e administrativo de cada vôo. Diz a FAA que a invasão pode se dar de forma involuntária, mas teme um ataque malicioso de hackers que descubram a vulnerabilidade de sistemas antes protegidos de qualquer invasão.
De acordo com um relatório da FAA, foi emitida uma recomendação para que o sistema de internet da cabine de passageiros seja integralmente refeito e de forma a operar separadamente do resto, o que significa ter um servidor dedicado apenas a essa parte da operação. A Boeing disse estar a par do problema e avisou que os projetistas estão trabalhando na solução. Ainda de acordo com o fabricante, o documento obtido pela Wired seria apenas uma parte de um conjunto de análises dentro de um escopo operacional ainda incompleto. A companhia informou ainda que a filosofia do projeto não seria alterada, mas que bloqueios estão sendo estudados dentro dos programas, com uso de uma combinação de firewalls, além da separação física dos servidores - air gaps.
Analistas que tiveram acesso à informação consideraram o problema grave, apesar das garantias do fabricante. Talvez por isso a FAA esteja pedindo que a Boeing faça demonstrações do sistema, já com as alterações, antes de conceder as certificações necessárias. Os primeiros testes estão programados para março próximo, ainda no banco de provas. Será preciso obter a certificação antes do teste de vôo do 787. A preocupação da FAA não é uma implicância com o projeto, mas uma necessidade dentro de um programa de aviação completamente inédito pela quantidade de materiais novos empregados e propostas tecnológicas embarcadas. Tudo precisa ser exaustivamente testado e retestado, simulando condições de vôo que as aeronaves só atingirão daqui a alguns anos. É preciso saber de antemão a resposta de cada elemento às situações de desgaste.
Para se ter uma idéia da complexidade do desenvolvimento, o Dreamliner já suscitou oito pedidos de demonstração por parte da FAA, e outros mais ainda podem ser exigidos até que o jato finalmente seja liberado para voar. Trata-se de uma preocupação salutar e que vai conferir ao avião, quando pronto, um status de confiabilidade se não pleno, muito próximo disso. Vale lembrar que o rigor evita problemas como os ocorridos com os antigos Comets, nos anos 50. Eram grandes jatos, com quatro turbinas, e que, a um determinado momento, começaram a se desintegrar em pleno vôo. A análise do fragmento de um deles revelou o problema, não detectado na fase de projeto, desenvolvimento ou fabricação: fadiga do alumínio na moldura das janelas, que eram quadradas. A forma ovalada utilizada desde então eliminou o problema, mas muitas mortes já haviam ocorrido.
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